Portugal EsquecidoO que Portugal esqueceu
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Portugal Esquecido

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142 LISBOA · 1886-2008 Os Burros do Doutor Pestana 141 PORTO · 1896-2001 O Florista e a Câmara que os Lumière Não Venderam Os irmãos Lumière não quiseram vender a câmara a um florista do Porto. 140 LISBOA · 1963-2026 Lançada para Ir ao Fundo 139 LISBOA · 1929-1942 Uma Agulha até à Aorta 138 CALDAS DA RAINHA · 1883-1899 A Rifa da Jarra Beethoven Rafael Bordalo Pinheiro, o caricaturista que criou o Zé Povinho, levou para o Rio de Janeiro uma jarra de faiança com mais de dois metros e rifou-a. 137 COIMBRA · 1896-1897 A Sardinha de Coimbra Uma sardinha está entre as primeiras radiografias de que há notícia em Portugal. 136 SESIMBRA · 1896-1907 O Tubarão que o Rei Comprou em Sesimbra 135 PORTO · 1961-1963 A Ponte Debaixo da Ponte Antes de a Ponte da Arrábida existir, houve sobre o Douro, entre o Porto e Gaia, um outro arco. 134 HORTA · 1893-anos 1960 Quinze Cabos na Horta No fim dos anos 1920, chegavam à Horta, na ilha do Faial, quinze cabos submarinos vindos da América, da Europa e de África. 133 LISBOA / PARIS · 1810-1823 O Pó da Quina O amargo da água tónica vem da quinina. Antes de a encontrarem, em 1820, dois químicos de Paris foram procurar um erro num ensaio escrito em Lisboa. 132 AVEIRO / FILADÉLFIA · 1722-1793 O Traço na Medalha de Ouro Segundo a sociedade que o entrega, é o prémio científico mais antigo dos Estados Unidos, e foi pago por um homem de Aveiro. 131 REINO · 1755-1756 Treze Perguntas ao Reino Em Linhares, em Celorico da Beira, o relógio do castelo tocou sem ninguém lhe tocar. 130 SEIXAL · 1403-1986 A Maré Que Foi a Tribunal O rei D. João I levou Nuno Álvares Pereira, o seu condestável, a tribunal por causa da maré. 129 ALJUSTREL · 1876-1906 O Barbeiro, os Banhos e o Mestre-Escola Há quase dois mil anos, nos banhos da mina de Aljustrel, os homens pagavam meio asse e as mulheres, um asse. 128 LISBOA · 1742-1755 A Capela que Veio de Roma Há em Lisboa, na igreja de São Roque, uma capela que foi construída em Roma. 127 ALMOUROL · 1171-1873 O Gigante de Almourol No castelo de Almourol, numa ilha do Tejo, vivia, conta um romance português, um gigante que guardava uma dama tão bela que os cavaleiros se batiam por ela. 126 GRANADA · MONTEMOR-O-NOVO · 1549-1893 Os Doentes às Costas Quando o Hospital Real de Granada pegou fogo, em 1549, um homem entrou no edifício a arder e tirou os doentes às costas. 125 SÃO MIGUEL · 1424-1591 A Ilha das Sete Cidades As Antilhas, no mar das Caraíbas, têm o nome de uma ilha que nunca ninguém encontrou. 124 FARO · 1487-1496 O Pentateuco de Faro O livro mais antigo que se conhece impresso em Portugal não está escrito em português. 123 MONTALEGRE · 1809-1993 Gervásio ou Senhorinha De noite, à entrada da Ponte do Diabo, uma ponte de um só arco no Barroso, uma mulher grávida que já perdera um filho esperava em silêncio pelo primeiro que passasse. 122 LISBOA · 1154-1940 Os Corvos do Cabo Os corvos que Lisboa tem na bandeira, nos candeeiros e nas tampas do saneamento estavam escritos antes de a cidade ter o santo. 121 PASTRANA · 1471-2010 Uma Guerra em Lã e Seda 120 GUINÉ · 1471-1478 Cem Léguas por Ano D. Afonso V arrendou o comércio da Guiné a um mercador de Lisboa, Fernão Gomes, com uma condição que os cronistas contam: descobrir cem léguas de costa por ano. 119 SANTARÉM · 1458-1656 Um Dente, Conta-se Em Santarém há um túmulo gótico que, segundo um frade de 1656, guardava apenas um dente, guardado pela mulher nas despedidas. 118 LIBÉRIA · 1214-1878 O Grão do Paraíso 117 CABO VERDE · 1460-1585 O Pomar da Ribeira Grande Na ilha de Santiago, em Cabo Verde, as aves esperavam os homens sem fugir. 116 SERRA LEOA · c. 1460-1961 Uma Serra Chamada Leoa 115 VENEZA · 1457-1488 Ver com os Olhos Num mapa do mundo que ainda está em Veneza, um frade pediu aos portugueses que navegavam o mar do sul que lhe dissessem se era verdade o que ouvira. 114 GÂMBIA · 1455-1500 A Cruz do Sul 113 PARIS · 1453-1841 O Livro de Paris O chapeirão negro, o bigode: o rosto que hoje se dá ao Infante D. Henrique vem de um livro de que, em Portugal, deixou de se saber onde parava. 112 LAGOS · 1446 A Caravela que Voltou A caravela de Nuno Tristão andou dois meses no mar sem ver terra, e o capitão estava morto. 111 SAARA · 1445 Sete Meses no Saara Ficou, escreveu o cronista Zurara, «soomente polla veer». 110 LAGOS · 1441-1444 Seis Caravelas de Lagos 109 BOJADOR · 1433-1434 Sinal de Terra 108 AÇORES · 1439-1839 Primeiro as Ovelhas Quatro séculos depois de 1439, uns criados lavaram com vassouras o mapa que dizia quem tinha achado os Açores, diante de George Sand. 107 PORTO SANTO · 1420-2012 A Coelha que Pariu no Mar Numa gaiola, no barco que ia povoar Porto Santo, seguia uma coelha prenhe oferecida a Bartolomeu Perestrelo. 106 CEUTA · 1415-1487 A Canela nas Ruas de Ceuta Em Ceuta, no dia em que os portugueses tomaram a cidade, as ruas ficaram cobertas de especiarias. 105 MARCO DE CANAVESES · 1758-2025 A Capela dos Mouros A aldeia do Freixo, no Marco de Canaveses, foi feita, em grande parte, com as pedras de uma cidade romana: as casas, os currais, os muros dos campos. 104 ARCOS DE VALDEVEZ / ST. LOUIS · 1868-2016 Trago o Fogo do Sol No seminário de Braga, chamavam-lhe Himalaya por ser muito alto. 103 DUME / BRAGA · 570-1546 O Bispo que Dante Citou Dante, no tratado Monarchia, cita Séneca: a lei é «o vínculo da sociedade humana». 102 CHAVES · 79-2020 A Ponte que Diz Quem a Pagou Chaves foi a votos, a 13 de setembro de 2020, para decidir se os carros podiam voltar a passar numa ponte com mais de mil e novecentos anos. 101 LAGOS / RIO DE JANEIRO / MACAU · 1668-1999 O Soldo de Santo António Em janeiro de 1668, assentou praça no Regimento de Infantaria de Lagos um soldado raso com a Virgem Maria por fiadora. 100 BARCELOS · 1867-1960 Os Dois Galos de Barcelos Num cruzeiro de granito de Barcelos há um homem pendurado numa corda e, por baixo dele, um santo que lhe segura os pés. 099 GOA / DIU / MOÇAMBIQUE · 1538-1548 As Barbas e a Agulha D. João de Castro cortou com a própria mão uma trança da barba e mandou-a à Câmara de Goa como penhor de um empréstimo. 098 NERCHINSK / SÃO MARTINHO DO VALE · 1673-1708 A Paz em Latim Era noite fechada quando, numa tenda à luz de velas de cera, os embaixadores da China e da Rússia juraram a paz. 097 VILA REAL DE SANTO ANTÓNIO · 1773-1778 Uma Vila Desenhada em Lisboa Não se via vivalma nas ruas de Vila Real de Santo António. 096 BUÇACO · 1628-1690 O Deserto que Mandaram Plantar Um papa mandou excomungar quem entrasse na Mata do Buçaco para cortar uma árvore. 095 LISBOA · 1848-1849 As Ondas do Rossio Houve um tempo em que se ia em romaria ao Castelo de São Jorge para ver um chão. 094 FUNCHAL / HAVAI · 1842-1898 O Machete que Emigrou O ukulele nasceu no Havai, nas mãos de marceneiros do Funchal. 093 LEIRIA · 1485-1537 As Tábuas do Sol Cristóvão Colombo estava presente e deixou-o escrito à margem de um livro do papa Pio II. 092 OLEIROS / TIBETE · 1624-1647 Um Irmão no Tibete Na neve dos Himalaias, um padre de Oleiros pegou em qualquer coisa e caiu-lhe um bom pedaço de dedo. Não deu por isso. Soube pelo sangue. 091 ÉVORA · 1384-1871 O Templo que Foi Talho Durante mais de quatro séculos, o Templo de Diana, em Évora, foi o talho da cidade. 090 CONGO / ANGOLA / NAMÍBIA · 1482-2019 Aqui Chegaram os Navios 089 SERNANCELHE / NAGASÁQUI · 1577-1955 Com Honra e Cortesia Em japonês havia um «eu» que era só para o rei. 088 PÓVOA DE VARZIM · 1932-2026 Cada Filho é um Pique Um pescador muito velho desenhou a sua marca no livro de notas que lhe estenderam. 087 COVILHÃ / ETIÓPIA · 1487-1524 O Espião de D. João II D. João II mandou dois homens descobrir onde se acha a canela e saber do Preste João. Partiram de Santarém, em segredo, a 7 de maio de 1487. 086 MADEIRA · 1493-1999 Uma Hora de Água 085 LISBOA / RECIFE · 1640-1707 A Sala na Ribeira das Naus O engenheiro que dirigia o ataque a uma praça do Alentejo tinha desenhado projetos para ela. Morreu ali, em junho de 1648. 084 SANTA HELENA / GOA · 1512-1546 A Nau que Ele Deixou Partir Meteu-se numa nau para Lisboa porque tinha lá mulher e filhos. Nunca chegou a Lisboa. 083 VILA VIÇOSA / BOMBAIM · 1640-1710 O Dote O dote de casamento de Catarina de Bragança, em 1661, foram Tânger, Bombaim e dois milhões de cruzados. 082 BATALHA · 1437-2025 A Palavra Acabado No alto de uma parede das Capelas Imperfeitas, no Mosteiro da Batalha, está gravada em letra gótica uma frase em latim. Diz perfectum fuit: foi acabado. 081 LISBOA · 1511-1937 O boticário e o imperador Um boticário português jogou xadrez com o imperador da China. 080 LISBOA · 1498-1618 As Cartas da Índia Em 1600 havia uma Misericórdia em Quioto. 079 LISBOA · 1927-1949 A Nona Tentativa Um doente de vinte anos ficou com as artérias do próprio cérebro desenhadas numa chapa de raios X. 078 PORTO · 1806-1809 A Ponte de Vinte Barcas A ponte que ligava o Porto a Gaia eram vinte barcas amarradas umas às outras, com um estrado de pranchas por cima. 077 TOMAR / SANTARÉM · 1128-1918 Os Quatro Homens de Tomar Quatro antigos templários estavam no Convento de Tomar depois de a Ordem do Templo ter sido abolida em toda a Europa. 076 SEVILHA / PORTO · 1519-2023 O Homem Que Foi Travar a Viagem Fernão de Magalhães estava a encher arcas de mantimentos quando o homem que D. Manuel I mandara travar a viagem lhe entrou em casa. 075 LISBOA / FUNDÃO · 1920-2020 O Dia que Amália Escolheu Amália Rodrigues não sabia o dia em que tinha nascido. 074 SINTRA · 1838-2026 O Palácio Cinzento Há quem se lembre do Palácio da Pena sem cor nenhuma nas paredes. Escuro, manchado, com hera a subir pelos muros. 073 ALCOBAÇA / COIMBRA · 1355-1849 A Coroa de Pedra O corpo de Inês de Castro tirado da sepultura, sentado num trono, coroado, e a corte em fila a beijar-lhe a mão. 072 LISBOA / BAIXA · 1755-2019 A Baixa Construída Para Tremer Quem vive na Baixa de Lisboa tem uma gaiola de madeira dentro da parede da sala e nunca lhe pôs os olhos em cima. 071 LISBOA / BELÉM · 1514-1754 O Rinoceronte de D. Manuel D. Manuel I mandou pôr um rinoceronte e um elefante frente a frente, num pátio em Lisboa. 070 SAGRES / VILA DO BISPO · 1443-1960 A Escola Que Nunca Existiu Uma lápide de mármore, na fortaleza de Sagres, diz que foi ali que o Infante D. Henrique fundou a famosa escola de cosmografia. 069 PORTO / VILA NOVA DE GAIA · 1876-2023 A Ponte Que Não É Dele No dia em que a ponte D. Luís abriu ao público, as pessoas começaram a fugir dela a correr. 068 OURIQUE / LISBOA · 1139-1857 A Prova de Ourique O homem que acusaram de atacar a fé tirou a aparição de Ourique do seu livro por a achar irreverente de mais para com Cristo. 067 PORTO SANTO (MADEIRA) · 1617-2021 A Ilha que Ficou Vazia Levaram os sinos das igrejas para os navios e puseram fogo aos arquivos antes de partir. Isto foi só o início. 066 VILA NOVA DE FOZ CÔA · ~20 000 a.C.-2026 As Gravuras Não Sabem Nadar A barragem já estava a ser construída quando o país soube o que havia naquele vale: milhares de cavalos, auroques e veados gravados no xisto há mais de vinte mil anos. 065 ANGRA (AÇORES) · 1501-1537 Os Três Irmãos Corte-Real Gaspar Corte-Real navegou para o Atlântico Norte em 1501 e nunca mais voltou. 064 MELINDE (QUÉNIA) · 1524-2026 As Redes de Johnstone Durante anos, as redes de um pescador queniano traziam à superfície pequenos fragmentos de louça partida. 063 BRAGA · 1880-2026 O Elevador Sem Motor Entra-se numa cabina, ao fundo da encosta do Bom Jesus, em Braga. 062 BEJA · 1640-2026 A Nota Sem Assinatura Em Beja mostra-se uma janela gradeada como quem mostra uma prova. Foi dali, diz a tradição, que uma freira via passar o oficial francês. 061 ALMEIDA · 1810-1812 Duas Vezes Destruída Em Almeida mostra-se hoje uma cratera onde esteve um castelo medieval. 060 ALMEIRIM · 1525-1526 A Liteira Fechada Numa liteira fechada, perto da Chamusca, uma jovem de vinte e dois anos chora sozinha. 059 TORRES VEDRAS · 1958-2026 O Dinossauro na Caixa Errada 058 LOULÉ (ALGARVE) · séc. XII-2023 A Casa que Tinha Dois Edifícios Debaixo do chão de uma casa quase em ruínas, no centro histórico de Loulé, estavam os banhos públicos de uma cidade islâmica. 057 VILA DO PORTO (AÇORES) · 1493 A Primeira Notícia A notícia de que havia terra do outro lado do Atlântico chegou primeiro a uma pequena ilha portuguesa. 056 MONTEMOR-O-NOVO · ~50 000 a.C.-2026 A Pessoa na Parede Ao fim da tarde de 17 de abril de 1963, uma carga de explosivos abriu uma fenda na rocha, numa pedreira de mármore alentejana. 055 BRAGA · séc. II-2018 O Teatro de que Ninguém Escreveu Numa planta de Braga levantada em 1883, as linhas que marcam o relevo apertam-se em arco no cimo de uma colina. É um teatro romano enterrado. 054 AVEIRO · 1575-1809 A Noite em que Aveiro Reabriu a Porta do Mar Um engenheiro traçou um risco na areia molhada com o bico da bota. Eram sete horas da noite de 3 de abril de 1808, na restinga que fecha a ria de Aveiro. 053 MIRANDA DO DOURO · 1882-1999 A Língua que Ninguém Tinha Escrito Numa tarde de domingo de 1882, numa república de estudantes do Porto, para os lados de Cedofeita, a música parou. 052 MONÇÃO · 1675-2008 A Vila que Assina com uma Lenda Conta-se em Monção que Deu-la-Deu Martins fez fugir um exército castelhano atirando-lhe do alto da muralha os últimos pães da vila, ainda quentes. 051 ALMADA · 1537-1614 O Homem a Quem Iam Perguntar 050 OLIVEIRA DE FRADES · 1882-1921 A Pedra dos Mouros Conta-se em Arca que quem pôs ali aquela pedra foi uma mulher. Trouxe-a à cabeça, a fiar numa roca, com um filho ao colo. 049 PORTALEGRE · 1920-2026 O Ponto de Portalegre Numa oficina de Portalegre há tecedeiras que chegam a dar dez mil pontos de lã num quadrado de dez centímetros de lado. 048 MANTEIGAS · 1881-1910 A Casa Sob a Pedra Há uma casa em ruínas na Serra da Estrela onde não chega estrada nenhuma. 047 LOURES · 1606-1797 O Correio que Era de uma Família Durante quase dois séculos, todas as cartas que circularam em Portugal passaram pelas mãos de uma única família. 046 COIMBRA · 1314-2023 O Mosteiro que o Rio Engoliu Houve em Coimbra uma igreja onde se entrava pela janela. 045 DOURO · 1756-1761 A Lei Escrita no Granito No Douro pode tropeçar-se numa lei com mais de dois séculos e meio. 044 ARCOS DE VALDEVEZ · século XII A Batalha que Acabou num Torneio No vale do Vez, no Alto Minho, dois exércitos acamparam frente a frente para uma guerra entre primos. 043 VIANA DO CASTELO · 1955-1998 O Navio que Era um Hospital Num fiorde da Gronelândia, um navio português mandou parar todos os motores, para que as mãos dos cirurgiões não tremessem. 042 PORTO · 1790-2026 A Casa que Ficou Fechada 236 Anos Há uma porta de granito no centro do Porto que esteve fechada ao público durante 236 anos. 041 TORRES NOVAS · há ~400 000 anos O Crânio Sem Nome É o crânio mais antigo que Portugal tem. Saiu do chão de uma gruta em Torres Novas, preso num bloco de pedra, com cerca de quatrocentos mil anos. 040 LISBOA · 1731-1755 O Aqueduto que Não Caiu Para levar água a Lisboa, um engenheiro atravessou um vale de sessenta metros de fundo com um só arco. 039 LISBOA · VITERBO · 1276-1277 O Homem que Talvez Fossem Três O único papa português mandou acrescentar uns aposentos ao palácio de Viterbo para poder estudar sossegado. 038 ÓBIDOS · 1221-1929 Óbidos, a Vila que Pertencia às Rainhas Em 1784, a vereação de Óbidos deliberou escrever à rainha de Portugal, são palavras da acta, «chamando a atenção da mesma para as suas obrigações». 037 OLHÃO · 1680-1808 O Caíque que Foi ao Rio de Janeiro As autoridades de Faro chegaram a pedir que se queimassem umas cabanas na praia. Quem lá vivia tinha saído da cidade para ficar longe do fisco, e não tencionava voltar. 036 ALENTEJO · séc. VIII-XXI O Porto do Mediterrâneo no Alentejo Um porto no Alentejo que olhava para o Mediterrâneo tornou-se, sob domínio islâmico, uma das cidades mais importantes do Gharb al-Andalus. 035 AÇORES · 1957-1958 O Farol que a Cinza Enterrou Durante treze meses seguidos, um vulcão destruiu casas e campos inteiros na ilha do Faial. E não matou uma única pessoa. 034 GERÊS · 1841-hoje A Aldeia que a Água Devolve No fundo de uma albufeira do Gerês há uma aldeia que volta a aparecer. 033 BRAGA–VIANA · 1559-1590 O Arcebispo que Pediu a Reforma dos Cardeais A arquidiocese de Braga tinha mais de mil paróquias, espalhadas por serras e vales. 032 LISBOA–RIO · 1922 O Sextante que Venceu o Atlântico Na tarde de 18 de abril de 1922, dois homens voavam desde a madrugada sobre o Atlântico, a caminho do Brasil. 031 MAFRA · 1744-1987 O Portão do Gradil Há um muro em Mafra com 21 quilómetros de extensão e seis portões: Mafra, Paz, Murgeira, Codeçal, Gradil, Vermelha. 030 SACAVÉM · séc. XIX-XX A Outra Loiça 029 GOA · séc. XVI O Livro Que Não Ardeu Garcia de Orta descreveu a cólera com um rigor que a Europa não voltaria a ter durante séculos, e fez, em Goa, a primeira autópsia de que há registo na Índia. 028 LISBOA · 1502-1578 O Nome na Craveira Há um nome gravado em quase todas as craveiras e paquímetros do mundo: a pequena escala que desliza junto à régua principal e permite ler frações de milímetro. 027 LISBOA · 1709 O Padre Voador Setenta e quatro anos antes dos Montgolfier, um padre fez subir um balão diante do rei, e a Passarola que todos lembram nunca chegou a voar. 026 CHELEIROS · 1195-1836 A Capital Esquecida Há em Cheleiros uma ponte de pedra, de um só arco, que ainda leva a uma capital. A capital já não existe. 025 BUCELAS · 1810 A Terra Queimada Em salões de Londres, brindava-se a um vinho branco e fresco a que chamavam «hock português». 024 VENDA DO PINHEIRO · lenda As Pedras e o Pão Venerado como o primeiro mártir cristão, morreu apedrejado. 023 SOBREIRO · 1920-2009 O Homem que Guardou um Mundo Quando José Franco era criança, o mundo em que nasceu ainda existia. 022 SINTRA · 1966 Os Vinte e Cinco No alto da Serra de Sintra, no cume a que chamam o Alto do Monge, há um lugar conhecido como o Memorial dos Soldados. 021 SINES · séc. XV-XVI A Glória e o Fogo Pela escotilha, o almirante via tudo. No convés do navio em chamas, mulheres erguiam ao ar os filhos pequenos, a implorar piedade. 020 LISBOA · 1939-1945 O Jogo Duplo Lisboa neutral, cidade de espiões: a capital onde a Segunda Guerra se fazia à mesa do café. 019 LISBOA · 1908 O Rei na Carruagem Aberta Por volta das cinco da tarde de 1 de fevereiro de 1908, o rei de Portugal atravessava a sua própria capital numa carruagem aberta. 018 ERICEIRA · 1947 A Nortada de Maio Ainda era noite escura sobre a Ericeira quando, das ribas, um rapaz de vinte e três anos ouviu gritos a vir do mar. 017 MALVEIRA · 1810 O Forte que Nunca Disparou Acima da Malveira ainda está um forte com quatro canhões. 016 ERICEIRA · 1834-1893 O Pior Porto do Reino Chamaram ao seu próprio porto «o pior de todos na nossa costa». 015 ERICEIRA · séc. XVII-XIX Os Cativos de Argel Quando um pescador da Ericeira não voltava do mar, nem sempre se tinha afogado. 014 MAFRA · 1730-2020 O Silêncio dos Sinos O maior carrilhão do mundo, vinte anos calado, e o dia em que voltou a soar. 013 ERICEIRA · 1621 A Nau que Ardeu ao Largo da Ericeira Uma nau da Índia ardeu à vista da praia, com centenas de pessoas a bordo, depois de a vila lhe recusar abrigo. 012 ERICEIRA · 1910 A Última Maré Na praia dos pescadores da Ericeira, na tarde de 5 de outubro de 1910, três pessoas desceram ao mar numa embarcação de pesca. 011 ERICEIRA · 1585 O Falso Rei da Ericeira A poucos quilómetros a sul da Ericeira, numa gruta junto a São Julião, na freguesia da Carvoeira, vivia um homem magro, de barba clara, filho de um pedreiro dos Açores. 010 MAFRA · — A Terra da Czarina Em 1768, Catarina, a Grande, descobriu o braço à agulha de um médico inglês. Era a vanguarda da medicina do seu tempo. 009 MAFRA · séc. XVIII A Enfermaria dos Doidos No maior palácio de Portugal, há uma cama com abas de madeira que se levantam dos lados, como as grades de um berço. Não era um luxo nem um capricho. 008 MAFRA · 1717-1730 O Preço do Voto O chão do Palácio de Mafra parece feito de osso. 007 MAFRA · 1807 O Último Palácio Antes do Exílio O maior palácio alguma vez erguido em Portugal ficou às escuras numa só noite de novembro de 1807. 006 MAFRA · séc. XVIII-XXI O que Acorda em Mafra à Noite A lenda dos ratos gigantes do convento e a verdade que a desfaz: os morcegos da biblioteca. 005 MAFRA · séc. XVIII A Biblioteca Proibida de Mafra No piso de cima da maior biblioteca de uma só sala do século XVIII há cerca de oitocentos livros que a Igreja proibiu. 003 PORTUGAL · 1503-1539 A Imperatriz de Portugal Em Sevilha, no Alcázar, no calor pesado de março de 1526, uma jovem de vinte e dois anos esperava o homem com quem se casaria sem nunca o ter visto. Chamava-se Isabel. 002 LISBOA · séc. XVI Os Ossos de Camões Todos os anos, a 10 de Junho, o país pousa flores sobre um túmulo de pedra lavrada no Mosteiro dos Jerónimos.
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