O dinossauro mais completo alguma vez descrito em Portugal passou mais de sessenta anos numa arrecadação, dentro de caixas que tinham escrito por fora o nome de outro animal. Não tinha número de coleção. Não tinha uma única nota de campo. Estava por limpar, com os ossos ainda presos à pedra de onde saíram, e parte deles andava misturada com os de um segundo esqueleto. Quem passasse pela prateleira lia «Dracopelta», lia «Ribamar» e, nas melhores caixas, lia apenas o nome de uma terra: «Atouguia da Baleia».
Contamos isto agora por causa de uma arriba. Há mais de um ano que uma equipa do Centro de Investigação em Paleobiologia e Paleoecologia, da Sociedade de História Natural, trabalha na foz do rio Sizandro, em Torres Vedras, num esqueleto que poderá vir a ser o dinossauro mais completo alguma vez encontrado no país. Ou seja: poderá tirar o título precisamente àquele que esteve guardado na caixa com o nome errado.
São duas histórias, com quase setenta anos entre elas, e no fim tocam-se de uma maneira que ninguém planeou.
Começou com um osso a sair da rocha
Em junho de 2025, durante trabalhos de prospeção e inventário para o Sistema de Informação Geográfico Aplicado à Paleontologia, Luís Domingos, investigador do Ci2Paleo, reparou num fémur a sobressair de uma arriba junto à foz do rio Sizandro. Estava em risco de queda, e foi recolhido e salvo de imediato.
A forma do osso bastou. «Uma primeira observação da morfologia e dos caracteres patentes no fémur demonstrou de imediato que não estávamos perante um animal frequente, por ser bastante raro», explicou Bruno Camilo, diretor do Ci2Paleo e doutorando do Instituto Superior Técnico.
Numa segunda intervenção, ainda nesse verão, a equipa procurou perceber o contexto do achado e ver se havia mais alguma coisa preservada. Havia. Recolheram cerca de quarenta e cinco osteodermes, as placas ósseas que revestiam o animal, e ficaram a saber com que grupo estavam a lidar: Anquilossauria. Dinossauros encouraçados, herbívoros, de quatro patas, cobertos de placas e com espigões ao longo dos flancos.
«Para nós foi uma incrível surpresa, pois são dinossauros muito raros», disse Camilo, «por eventualmente no Jurássico terem existido populações muito reduzidas nos ecossistemas de então.»
O inverno pelo meio
Entre o achado e a escavação a sério houve um inverno, e o inverno na costa portuguesa foi duro. A equipa protegeu o local «para evitar a destruição e erosão dos vestígios», e esperou.

Vale a pena ser rigoroso quanto ao que aconteceu nessa estação, porque é fácil exagerá-lo. O relatório técnico da Agência Portuguesa do Ambiente sobre as ocorrências na faixa costeira, apresentado em março de 2026, contabiliza 749 ocorrências registadas, 571 danos em 147 locais, 290 áreas vistoriadas e recuos da linha de costa entre dez e vinte metros. Na região do Tejo e Oeste, a praia que o relatório assinala no concelho de Torres Vedras é a de Porto Barril. A Foz do Sizandro não é nomeada nesse documento, ao contrário do que se leu nalguma imprensa, e por isso não dizemos aqui que o relatório a assinalou.
O que é seguro, e é do próprio comunicado da Câmara Municipal de Torres Vedras, é isto: o sítio foi protegido durante o inverno precisamente porque o risco existia. O esqueleto aguentou.
O que a arriba tinha lá dentro
Quando as escavações em área recomeçaram, o que apareceu apanhou a própria equipa de surpresa.
O animal está articulado desde partes do crânio até à ponta da cauda, num conjunto com cerca de dois metros e meio, e está deitado de barriga para baixo. É uma posição invulgar. «Algo inusitado», nota Camilo, «pois em geral encontramos quase todos os dinossauros deitados de lado.»
Sobre a completude, a equipa diz o seguinte: «O dinossauro está cerca de 85% completo. Mas poderá estar ainda mais completo, pois pensamos que os dois membros anteriores estejam debaixo dos espigões e osteodermes, uma vez que o corpo se encontra de barriga para baixo. O fémur direito está por baixo dos osteodermes e dos espigões, pois foi possível observá-lo durante a escavação. Pode acontecer o mesmo com os membros anteriores; se assim for, podemos dizer que estará perto dos 95% de completude.»
Reparem na construção da frase. É uma hipótese, com a condicional toda lá dentro, e não um resultado.
Vai sair da arriba num único bloco, precisamente porque está articulado, e poderá corresponder a um indivíduo juvenil ou subadulto. A campanha deste ano juntou vinte e dois investigadores da Sociedade de História Natural e estudantes vindos de vários países, e os trabalhos de campo decorrem até ao final de setembro.
O que ainda não se sabe
Aqui convém parar e dizer com todas as letras uma coisa que o noticiário tende a saltar: não existe, à data, nenhuma descrição científica formal deste espécime. Nada publicado, nada revisto por pares. Procurámos na literatura e não há nada. São números de escavação, ditos por quem está a escavar, sobre um animal que ainda nem chegou ao laboratório: a preparação só começa depois de o bloco sair da arriba.

Isso não os torna falsos. Torna-os provisórios, e é assim que aqui aparecem, tal como as próprias fontes os dão: o comunicado municipal fala «daquele que poderá ser o dinossauro mais completo alguma vez encontrado em Portugal».
O mesmo vale para o segundo recorde em jogo. O achado apareceu numa camada do Kimmeridgiano, mais antiga do que aquela em que aparecem os outros anquilossauros conhecidos em Portugal, que são sobretudo do Titoniano. Isso faria dele, nas palavras de Camilo, «o mais antigo conhecido da Europa continental».
O qualificador «continental» não é um pormenor e não deve cair. Conhece-se material de anquilossauros mais antigo, do Jurássico Médio de Inglaterra, mas em esqueletos muito pouco completos. A dimensão da coisa percebe-se bem com um exemplo: um artigo de 2024 na revista da Yorkshire Geological Society descreve, como achado digno de publicação própria, uma única osteoderme do Oxford Clay. Uma placa. É contra esse padrão que se deve ler um esqueleto articulado desde partes do crânio até à ponta da cauda.
Quanto à idade em anos, as fontes divergem: um título da RTP diz 155 milhões, outras contas apontam para valores mais baixos, e o próprio andar Kimmeridgiano cobre o intervalo entre cerca de 157,3 e 152,1 milhões de anos. Por isso escrevemos sempre, aqui e em todo o lado, «há cerca de cento e cinquenta milhões de anos», que é verdadeiro sob todas as leituras, e nunca um número exato que teríamos de escolher a dedo.
O único anquilossauro que Portugal tinha descrito
Até este achado, Portugal tinha descrito um anquilossauro: o Dracopelta zbyszewskii. E a história de como apareceu é, por si só, uma história esquecida.
Apareceu quando se abria uma estrada do Barril para a Praia da Assenta Sul, no concelho de Mafra. Ossos fósseis ficaram à vista no corte da estrada.
Um arqueólogo de Torres Vedras foi ver. Chamava-se Leonel de Freitas Sampaio Trindade (1903-1992), era o homem que estudara o Castro do Zambujal e o Tholos de Paimogo, e tinha um interesse periférico pela paleontologia: quando aparecia um fóssil na região, encaminhava-o para os seus contactos nos Serviços Geológicos, em Lisboa. Foi ao local, confirmou o achado e fotografou os ossos onde estavam. No verso da fotografia, que hoje faz parte do seu espólio pessoal no arquivo do Museu de Torres Vedras, está escrita uma palavra: «Assenta». O Museu Municipal de Torres Vedras tem hoje o nome dele.

O jornal local Badaladas noticiou o achado a 9 de janeiro de 1965, com um título que hoje se lê com ternura: um fóssil de 140 milhões de anos encontrado na Praia da Assenta. O texto explicava que, segundo os especialistas, devia tratar-se de um dinossauro com 140 milhões de anos, e que só depois de devidamente estudado no laboratório daqueles serviços poderia ser classificado cientificamente. (Os 140 milhões são a estimativa da época, tal como o jornal a publicou; a datação de hoje é outra.)
Sobre o ano da descoberta há uma divergência que é preciso assumir. O comunicado da Câmara Municipal de Torres Vedras, em 2026, diz que o Dracopelta foi «achado em 1957». Mas o único estudo dedicado exatamente a esta questão, publicado por João Russo e Octávio Mateus nas Comunicações Geológicas em 2021, reconstitui a descoberta a partir do recorte do Badaladas, das fotografias de Trindade e de um caderno de campo, e data-a do início de 1964, com a escavação em dezembro desse ano. Nenhuma fonte académica alguma vez propôs 1957. Há uma explicação plausível, e é só isso, uma hipótese: a confusão com a obra de referência Les Dinosauriens du Portugal, de Albert de Lapparent e Georges Zbyszewski, que é de 1957. Por isso não damos aqui ano nenhum: damos a circunstância, que é verdadeira sob as duas leituras.
O homem que recolheu quase tudo e não estudou aquilo
Os dois homens que os Serviços Geológicos mandaram à praia do Porto do Barril eram Octávio da Veiga Ferreira e Georges Zbyszewski.
Zbyszewski nasceu em Gatchina, na Rússia, em 1909. Visitou Portugal pela primeira vez em 1935 e ficou cá o resto da vida; morreu em Lisboa em 1999. Passou mais de quarenta anos nos Serviços Geológicos de Portugal, assinou ou coassinou mais de duzentas publicações e trabalhou na cartografia geológica do país. Quase todo o material de dinossauros hoje guardado no laboratório nacional foi recolhido por ele, ao longo do levantamento geológico do centro-oeste português entre 1942 e os anos setenta.
Era, portanto, o homem indicado para estudar o anquilossauro que ele próprio tinha ido buscar. Tinha até coassinado, com Lapparent, o livro de referência sobre os dinossauros portugueses.
Não o estudou. Os autores do estudo de 2021 registam-no com uma palavra: «surpreendentemente». Não se interessou sequer por coassinar a descrição, e continuou no levantamento geológico do país.
Não há aqui nenhum vilão, e é importante dizê-lo. Naquela altura não havia paleontólogos em Portugal, havia geólogos, e um geólogo que continuou a fazer geologia não fez nada de errado. Mas o efeito prático foi que o esqueleto ficou à espera. Em agosto de 1978, o paleontólogo britânico Peter Galton passou uma semana em Lisboa, a ver material de estegossauros no Museu Geológico antes de uma reunião científica em Paris. Viu aquilo. Descreveu-o e publicou-o em 1980, na Geobios, como género e espécie novos.
E deu à espécie o nome de Zbyszewski. O homem que o recolheu e não lhe pegou é aquele cujo nome o animal carrega para sempre. Não é uma ironia cruel: é uma dedicatória, e das afetuosas. Mas é uma ironia.

As duas histórias estavam na mesma caixa
Foi também Zbyszewski quem recolheu, no final da década de 1950, em Atouguia da Baleia, no concelho de Peniche, o esqueleto por que começámos.
Sobre esse ano, também, as fontes divergem. O estudo de 2019 conclui, com uma ressalva explícita, que «é mais plausível que o MG 4863 tenha sido recolhido em 1959 por Georges Zbyszewski», a cerca de um quilómetro a nordeste do centro de Atouguia da Baleia, e acrescenta que dados futuros poderão confirmar ou corrigir a conclusão. O LNEG, na exposição que hoje lhe dedica, escreve «entre 1958 e 1959», e noutro painel «terá sido recolhido em 1958». Nós escrevemos «no final da década de 1950», que é verdadeiro em qualquer das versões.
E há um pormenor que explica a incerteza toda: os cadernos de campo de Zbyszewski estavam, à data do estudo, em mãos privadas. Os documentos que resolveriam a questão não estão em nenhuma coleção pública.
Quando o estudo começou, em setembro de 2015, o estado do material era este, nas palavras dos autores: o espécime estava por preparar, por descrever, sem número de coleção e sem notas de campo, identificado apenas pelo rótulo «Atouguia da Baleia» nalgumas das caixas em que estava guardado; parte do material estava misturado com material por preparar do holótipo do anquilossauro Dracopelta zbyszewskii, e nalgumas caixas estava mal rotulado como «Dracopelta» e/ou «Ribamar». E não era claro qual tinha sido a localização exata, o ano e o autor da descoberta.
Leia-se outra vez a parte do meio. Os dois esqueletos estavam misturados um com o outro. Os dois animais mais importantes desta história passaram décadas em cima um do outro, na mesma arrecadação, nalguns casos nas mesmas caixas, e enquanto assim estiveram nenhum dos dois podia ser estudado a sério.
Em 2009, Bruno Pereira deu com o material por preparar enquanto atualizava o registo de fósseis do laboratório, e avisou Octávio Mateus, que percebeu logo de que se tratava. A preparação laboratorial arrancou em 2015.
E o desfecho é o melhor pormenor técnico de toda a história. Diz a conclusão do artigo de 2019 que o esqueleto foi separado com êxito dos restos por preparar do holótipo do Dracopelta, com que estava misturado, e que foi essa separação que tornou possíveis os estudos que desde então se fazem sobre este anquilossauro. Ou seja: desembaraçar um esqueleto esquecido foi o que destrancou o outro. O estudo de 2021 sobre a descoberta do Dracopelta, aquele que finalmente lhe reconstituiu a data e a localidade, é um dos que aquela separação tornou possíveis.
O que estava dentro da caixa
Era um Miragaia longicollum.

A espécie foi descrita como nova em 2009, a partir de um espécime encontrado em Miragaia, na Lourinhã, que lhe deu o nome. Distingue-se pelo pescoço, muito comprido para um estegossauro, com pelo menos dezassete vértebras cervicais, e é por enquanto uma espécie que só se conhece em Portugal.
O exemplar de Atouguia da Baleia, catalogado MG 4863, é, nas palavras de Francisco Costa e Octávio Mateus, que o descreveram em 2019, «o dinossauro mais completo descrito em Portugal e o estegossauro mais completo descrito na Europa». Esse superlativo, ao contrário dos que se dizem hoje sobre o animal do Sizandro, está publicado e revisto por pares. E continua de pé: um trabalho de 2025 sobre novas evidências fósseis e históricas do mesmo espécime mantém no próprio título a condição de estegossauro mais completo da Europa.
Tinha estado sempre ali.
Onde é que ele está hoje
Não voltou para a arrecadação.
A 7 de maio de 2026 foi inaugurada no Museu Geológico do LNEG, em Lisboa, a exposição «Miragaia: o Estegossauro de Portugal e do Mundo». Abriu ao público a 11 de maio. A peça central é o esqueleto de Atouguia da Baleia, montado osso a osso.
E é, segundo o próprio LNEG, a primeira vez que isto acontece no país: o primeiro dinossauro fóssil apresentado em Portugal integralmente montado e em posição de vida. O projeto museológico levou anos de remoção meticulosa da rocha que envolvia os ossos, vários estudos científicos e a reconstrução dos ossos que não se preservaram.
Quem quiser ver com os próprios olhos aquilo de que se está aqui a falar, é ali, e está aberto ao público. Entra-se, e está lá de pé um animal que passou mais tempo dentro de caixas do que a maior parte das pessoas que hoje o vão visitar tem de vida.

Reparem na conta dos meses
O esqueleto de Atouguia da Baleia saiu da arrecadação para a sala de exposições em maio de 2026.
Em junho, na arriba do Sizandro, recomeçava a escavação do animal que talvez lhe venha a tirar o título.
Um esteve escondido por uma prateleira, o outro por cerca de cento e cinquenta milhões de anos de rocha, e os dois esperaram exatamente pela mesma coisa: por alguém que fosse ver. O do Sizandro esperou por um investigador que reparasse num osso a sair de uma arriba antes de a arriba o levar. O de Atouguia da Baleia esperou por alguém que estivesse a atualizar um inventário e abrisse uma caixa que dizia outra coisa.
Vale a pena guardar isto, porque é a parte que se aplica a muito mais do que a dinossauros: as mesmas caixas que o esconderam foram as que o conservaram. Se o esqueleto não tivesse sido recolhido por um geólogo que depois não lhe pegou, e guardado durante sessenta anos por uma instituição que não sabia bem o que tinha, não haveria nada para descrever em 2019. O esquecimento, aqui, não destruiu nada. Apenas adiou.
Ao dinossauro de Atouguia da Baleia nunca lhe faltou estar completo. Faltava-lhe que abrissem a caixa.
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Fontes
A escavação da Foz do Sizandro

- Câmara Municipal de Torres Vedras, «Descoberta paleontológica inédita no concelho de Torres Vedras», comunicado de 23 de julho de 2026. É a fonte primária de todo o noticiário que se seguiu, e é de lá que vêm todas as citações de Bruno Camilo usadas neste artigo. - RTP Notícias, peça de 23 de julho de 2026. - ZAP, «O mar deu, o mar quase levou», 2 de agosto de 2026. - Notícias ao Minuto, 4 de agosto de 2026. - Agência Portuguesa do Ambiente, «Síntese das ocorrências na faixa costeira de Portugal continental», relatório técnico apresentado a 11 de março de 2026.
O Miragaia de Atouguia da Baleia
- Francisco COSTA e Octávio MATEUS, «Dacentrurine stegosaurs (Dinosauria): A new specimen of Miragaia longicollum from the Late Jurassic of Portugal resolves taxonomical validity and shows the occurrence of the clade in North America», PLoS ONE, 2019. O estudo que descreveu o esqueleto; é dele que vêm o estado do material em arrecadação, a atribuição da recolha e o superlativo. - Octávio MATEUS, Susannah MAIDMENT e Nicolai CHRISTIANSEN, «A new long-necked "sauropod-mimic" stegosaur and the evolution of the plated dinosaurs», Proceedings of the Royal Society B, 2009. A descrição original da espécie. - Francisco COSTA PINTO, Susannah MAIDMENT, Cristina SEQUERO e outros, «Miragaia longicollum MG 4863: New fossil and historical evidence from the most complete stegosaur from Europe», 2025. - LNEG, textos da exposição «Miragaia: o Estegossauro de Portugal e do Mundo» e notícia da inauguração, Museu Geológico, Lisboa, maio de 2026.
O Dracopelta e Zbyszewski
- João RUSSO e Octávio MATEUS, «História da descoberta do anquilossauro Dracopelta zbyszewskii (Jurássico Superior), com novos dados sobre o espécime tipo e a sua localidade», Comunicações Geológicas, tomo 108, fascículo 1, 2021, pp. 27-34. O estudo dedicado à descoberta: reconstitui-a a partir do recorte do Badaladas, das fotografias de Leonel Trindade e de um caderno de campo, e é a fonte de tudo o que aqui se conta sobre Trindade, Zbyszewski e Galton. - Peter M. GALTON, «Partial skeleton of Dracopelta zbyszewskii n. gen. and n. sp., an ankylosaurian dinosaur from the Upper Jurassic of Portugal», Geobios, 1980. A descrição original. - Xabier PEREDA-SUBERBIOLA, Pedro DANTAS, Peter M. GALTON e outros, «Autopodium of the holotype of Dracopelta zbyszewskii and its type horizon and locality», Neues Jahrbuch für Geologie und Paläontologie, 2005. - Badaladas, n.º 472, 9 de janeiro de 1965. Citado aqui a partir da tradução inglesa publicada no estudo acima; não lemos o original em português.
Contexto
- Jordan BESTWICK e outros, «A new ankylosaurian osteoderm from the Middle Jurassic Oxford Clay Formation, United Kingdom», Proceedings of the Yorkshire Geological Society, 2024. É a fonte da comparação com o material britânico. - Miguel Telles ANTUNES e Octávio MATEUS, «Dinosaurs of Portugal», Comptes Rendus Palevol, 2003. - Sociedade de História Natural, Torres Vedras, apresentação institucional.
Notas de honestidade
- Nada do que se diz sobre o animal do Sizandro está publicado. Procurámos na literatura científica e não existe descrição formal do espécime. Os 85%, os 95%, a idade e o recorde europeu são números de escavação, ditos por quem escava, e aqui aparecem sempre atribuídos e no condicional, tal como as fontes os dão. - Não damos uma idade exata em anos. As fontes divergem entre si e o próprio andar Kimmeridgiano cobre um intervalo largo. Escrevemos sempre «há cerca de cento e cinquenta milhões de anos», que é verdadeiro sob todas as leituras. - «O mais antigo da Europa» leva sempre o qualificador «continental». Sem ele a frase fica falsa: o Reino Unido tem material mais antigo, ainda que muito fragmentário. - Não damos ano para a descoberta do Dracopelta. O comunicado municipal diz 1957; o estudo dedicado à questão data-a do início de 1964. Damos a circunstância, que é verdadeira sob as duas leituras, e explicámos acima a divergência. - Não damos ano exato para a recolha do Miragaia. As fontes dizem 1958, 1959 e «final da década de 1950». Ficámos pela última. - Corrigimos uma coisa que circulou na imprensa. Leu-se que o relatório da Agência Portuguesa do Ambiente assinalava a Praia da Foz do Sizandro. Fomos ler o relatório: a praia não é nomeada nele. A que o relatório assinala no concelho é a de Porto Barril. - E outra. Leu-se que este exemplar esquecido tinha servido de motivo a uma moeda de coleção de cinco euros. A moeda existe, é de 2023 e é a terceira da série «Dinossauros de Portugal», mas homenageia a espécie, cujo exemplar de referência foi encontrado na Lourinhã. Não é o esqueleto de Atouguia da Baleia que está na moeda, e por isso não o dissemos. - Sobre a Sociedade de História Natural. O estudo de 2021 escreve que a Associação Leonel Trindade é hoje a Sociedade de História Natural. Não encontrámos outra fonte que o confirme, nem o registo arquivístico da Associação nem a própria Sociedade o dizem, e por isso não afirmámos aqui que se trata da mesma casa. O que é seguro é a terra: Leonel Trindade era de Torres Vedras e a Sociedade é de Torres Vedras. - Nenhuma instituição é ré nesta história. As caixas que esconderam o esqueleto foram as mesmas que o conservaram.