Portugal EsquecidoO que Portugal esqueceu
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Curiosidades

131 CURIOSIDADES · 2026

Um facto de cada vez. Cada um leva à história completa.

Quatro artigos de Luís da Câmara Pestana e de Aníbal Bettencourt sobre o vibrião da epidemia de Lisboa de 1894 saíram em alemão, no Centralblatt für Bakteriologie und Parasitenkunde, de Iena, o órgão dos bacteriologistas.LISBOA Aurélio da Paz dos Reis deixou 7294 chapas de vidro, de 7 por 18 centímetros, uma das maiores coleções dos arquivos públicos portugueses, escreve a investigadora Isabel Pina.PORTO Em 1876, o engenheiro Miguel Pais apresentou à Associação dos Engenheiros Civis Portugueses a primeira proposta escrita de uma ponte sobre o Tejo, em Lisboa: ligaria o Grilo ao Montijo.LISBOA Em Santa Croce in Fossabanda, perto de Pisa, há uma tábua de altar com uma assinatura em português: «Álvaro Pirez d'Évora pintou».LISBOA A jarra Beethoven, de Rafael Bordalo Pinheiro, traz uma cartela na base.CALDAS DA RAINHA A 25 de março de 1896, a revista lisboeta O Occidente deu a uma descoberta recente um nome novo: a «Photographia do invisivel».COIMBRA Em 1904, o rei D. Carlos publicou um estudo sobre os tubarões apanhados na costa portuguesa nas suas campanhas de 1896 a 1903: trinta e duas espécies, costeiras e de grande profundidade. De cada uma deu o fundo onde vivia, o que tinha no estômago, para que servia e os nomes vulgares, em português e em francês.SESIMBRA A Sécheron Portuguesa, uma empresa do Porto, tinha começado a trabalhar apenas um ano antes de receber a obra do cimbre da Ponte da Arrábida: um arco de aço de cerca de duas mil toneladas, de um só vão sobre o Douro. Quem o escreveu foi o seu engenheiro, João Sobreira, no relatório que publicou em 1962.PORTO A 27 de agosto de 1893, a família real foi à estação de Carcavelos inaugurar o cabo que ligava o continente aos Açores. Seis dias depois, a 2 de setembro, saía na Horta um novo jornal diário. Chamava-se O Telegrapho.HORTA Em 1810, um médico da Armada, em Lisboa, tirou da casca da quina uns cristais brancos, finos como fios. Sobrou um líquido. Deixou-o a evaporar ao ar e, ao fim de dias, o líquido amargo cheirava a água de flor de laranjeira e de canela.LISBOA / PARIS Em 1786, as regras de um prémio de ciência impressas em Filadélfia mandavam cada candidato enviar o trabalho sob um mote, e o nome verdadeiro numa carta lacrada. A carta só se abria depois de decidido o prémio. As dos que não ganhassem eram queimadas sem se quebrar o lacre.AVEIRO / FILADÉLFIA Em Campo de Víboras, no concelho de Vimioso, o pároco respondeu ao rei que o terramoto começou «Às nove horas e meia, mais ou menos», e que «passados dois credos tornou a repetir».REINO Em setembro de 1403, o rei D. João I e Nuno Álvares Pereira, o seu condestável, estavam em demanda por causa de uns esteiros no Seixal, onde o condestável mandava fazer moinhos de maré. Os rios, alegava o rei, eram seus.SEIXAL Há quase dois mil anos, uma lei romana de Aljustrel tratava dos banhos públicos ao pormenor.ALJUSTREL Em abril de 1743, Manuel Pereira de Sampaio, que representava D. João V em Roma, contou numa carta uma partida que o Papa lhe pregou.LISBOA No Palmeirim de Inglaterra, o romance de cavalaria de Francisco de Moraes impresso por volta de 1544, há uma cena junto ao Tejo. Miraguarda está presente, uns cantores cantam um vilancete, e um cavaleiro grava-o no tronco de uma árvore:ALMOUROL Em Itália, os frades de São João de Deus têm por nome uma frase: Fatebenefratelli.GRANADA · MONTEMOR-O-NOVO A 12 de julho de 1486, em Lisboa, dois homens fecharam contrato para ir achar a ilha das Sete Cidades: Fernão Dulmo, um flamengo que era capitão na ilha Terceira, e João Afonso do Estreito, morador no Funchal, que armaria duas caravelas.SÃO MIGUEL O livro mais antigo que se conhece impresso em Portugal é um Pentateuco em hebraico, acabado em Faro mais de dois anos antes do mais antigo livro em português que chegou até nós. No fim, uma nota diz quando: a 9 do mês de Tamuz do ano 5247 do calendário judaico, o que no calendário juliano, então em uso, dá 30 de junho de 1487.FARO Em 1916, na Revista Lusitana, Fernando Braga Barreiros registou no Barroso o que se fazia a uma criança com hérnia. Levavam-na à Ponte da Misarela, a que também chamam Ponte do Diabo, entre Montalegre e Vieira do Minho, e lá três pessoas a batizavam.MONTALEGRE Na Sé de Lisboa cantou-se, até 1590, um ofício próprio para a trasladação de São Vicente, a festa das relíquias que, segundo Mestre Estêvão, chegaram à cidade em setembro de 1173. Depois, a música deixou de se ouvir.LISBOA Em 1471, as tropas de D. Afonso V tomaram Arzila, na costa de Marrocos. Nos anos que se seguiram, a campanha foi tecida na Flandres, quase de certeza em Tournai, em quatro panos de lã e seda, cada um com mais de dez metros de comprido.PASTRANA Em janeiro de 1471, dois cavaleiros da Casa do Rei chegaram à costa do ouro a que depois se chamou a Mina. Iam ao abrigo do contrato de um mercador de Lisboa, Fernão Gomes, que nenhuma crónica põe a bordo. Um dos pilotos era Álvaro Esteves, morador em Lagos.GUINÉ A 2 de julho de 1459, o rei de Fez apareceu diante de Alcácer Ceguer, a vila de Marrocos que D. Afonso V tomara em 1458, e começou a cercá-la.SANTARÉM Antes das caravelas portuguesas, a malagueta que havia em Itália vinha pelo deserto. Era a semente de uma planta africana da família do gengibre, pequena, escura e muito ardente. Escreve João de Barros que mercadores muçulmanos a traziam através da região de Mandinga e do Saara até um porto da costa de Trípoli, a que chamavam Mundi Barca. Ali a embarcavam os italianos.LIBÉRIA A 16 de janeiro de 1832, o Beagle fundeou na Praia, na ilha de Santiago, em Cabo Verde. Um dia, Charles Darwin e dois oficiais foram a cavalo até uma povoação a poucas milhas para leste, Ribeira Grande.CABO VERDE No início da década de 1460, duas caravelas portuguesas, capitaneadas por Pêro de Sintra, corriam a costa da Guiné. Encontraram um cabo coberto de árvores, tão alto que os marinheiros diziam nunca ter visto outro assim.SERRA LEOA A 21 de outubro de 1457, o livro de contas de um mosteiro numa ilha da laguna de Veneza regista dezassete dias pagos a um escriba que escrevia num mapa do mundo, a doze soldos por dia. Quem pagava era o rei de Portugal, D. Afonso V.VENEZA Num rio de África, em 1456, um mercador de Veneza que navegava ao serviço do Infante D. Henrique mandou cortar um pedaço de elefante e comeu-o a bordo, assado e cozido. Fê-lo, escreveu, para poder dizer que tinha comido de um animal que ninguém na sua terra provara. A conclusão ficou no relato: «dura e desenxabida».GÂMBIA Na última folha do livro do Infante há duas marcas, uma por baixo da outra. Primeiro, uma nota em castelhano: aquela «coronica de Guinea» fora da livraria de D. Juan Lucas Cortés, do Conselho de Castela. E o ano: 1702. Logo por baixo, um carimbo redondo, com a coroa e as flores-de-lis: o da biblioteca do rei de França.PARIS Ao fim de dois meses sem ver terra, os homens da caravela de Nuno Tristão encontraram um corsário galego, e souberam que estavam em casa. O corsário chamava-se Pero Falcão, conta o cronista Zurara.LAGOS Para onde vão as andorinhas no inverno? Em 1445, João Fernandes, escudeiro do Infante D. Henrique, vivia no Saara, entre os pastores do deserto, e tinha uma resposta. As que partiam de cá no verão, dizia ele, iam «invernar sobre aquellas areas». O cronista Zurara escreveu-o na Crónica da Guiné, e a frase lê-se na imagem, no códice de Paris. Zurara juntou o que ele dizia das cegonhas: essas iam mais longe, «aa terra dos Negros», e lá passavam o inverno.SAARA A gente da vila de Lagos, escreveu no século XV o cronista Gomes Eanes de Zurara, andava mais em navios do que por terra, porque a vila está junto à costa.LAGOS Para ajudar a nascer uma criança, deitava-se numa vasilha de água uma planta seca, que parecia morta. Quando ela abrisse, a criança tinha nascido.BOJADOR Onde o manuscrito do relato do navegador Diogo Gomes diz oves, ovelhas, a primeira edição impressa diz aves. Bastou uma letra.AÇORES Em junho de 1861, Charles Darwin foi ver ao Jardim Zoológico de Londres dois coelhos chegados da ilha de Porto Santo. Eram ruivos por cima e cinzentos por baixo, com a cauda castanho-avermelhada e as pontas das orelhas sem a orla negra que tinham todos os coelhos que ele examinara, os ingleses e as peles do Museu Britânico.PORTO SANTO Sete anos depois de os portugueses tomarem Ceuta, um homem da cidade terminou de a descrever rua a rua. Chamava-se Muhammad ibn al-Qasim al-Ansari, e o livro ficou pronto a 23 de fevereiro de 1422: os cemitérios, as mesquitas, as bibliotecas, os banhos, os mercados, as lojas, as fontes, os moinhos, as portas, os portos.CEUTA No Freixo, no Marco de Canaveses, a feira da Quaresma durava dois dias. As barracas ficavam de pé o ano inteiro: telhados de colmo assentes em pilares de granito, à espera da feira seguinte. Assim as viu, em 1886, o escritor José Augusto Vieira.MARCO DE CANAVESES De noite, quem olhasse a partir do foco da máquina que o padre Himalaya levou à Exposição Universal de St. Louis, em 1904, via uma estrela, alinhada com o eixo do espelho, repetida seis mil vezes. Com a lua, acontecia o mesmo. Escreveu-o em 1905 o jornalista Alfredo Mesquita, que esteve diante dela.ARCOS DE VALDEVEZ / ST. LOUIS Numa casa de Castelfranco Veneto, em Itália, corre um friso pintado nos primeiros anos do século XVI e atribuído a Giorgione. Entre as figuras há sentenças em latim. Uma delas diz: «Si prudens esse cupis, in futura prospectum intende.» Se queres ser prudente, olha para o que há de vir.DUME / BRAGA No começo deste século, Chaves quis fazer um parque de estacionamento subterrâneo no centro da cidade. Nas sondagens apareceram lajes de granito e água quente.CHAVES Depois da invasão francesa de 1807, o general Junot pediu a folha de serviços de um capitão de Lagos: Santo António. E continuou a pagar-lhe o soldo.LAGOS / RIO DE JANEIRO / MACAU O fundo negro do galo de Barcelos terá saído das chaminés: fuligem e cola de peixe, na falta de tinta da Segunda Guerra.BARCELOS Os portugueses chamavam-lhe mar Roxo; hoje chamamos-lhe mar Vermelho. Em 1541, D. João de Castro perguntou aos pilotos que navegavam naquele mar porque se chamava assim. Espantaram-se: não lhe conheciam outro nome senão o de mar de Meca.GOA / DIU / MOÇAMBIQUE Consertava os relógios do imperador da China. Em 1689, conta ele no diário, propuseram-lhe uma aposta, um cavalo contra um relógio, e respondeu que não tinha nenhum.NERCHINSK / SÃO MARTINHO DO VALE Diz o programa impresso de 1776: na festa de inauguração de Vila Real de Santo António, os presos da cadeia recebiam a ração dos soldados e mais um pão.VILA REAL DE SANTO ANTÓNIO Diz a crónica: três frades foram fundar o convento do Buçaco com uma canastra de sardinhas.BUÇACO Num armazém de Alvalade, em Lisboa, estará o molde das ondas do Rossio.LISBOA Em havaiano, ukulele queria dizer pulga.FUNCHAL / HAVAI Copiou o exemplo do livro. Errou a conta para bater certo.LEIRIA Tiraram-lhe a neve e deram-lhe passas. Chorou pela neve.OLEIROS / TIBETE O Templo de Diana deve o nome a uma cerva.ÉVORA Num padrão de Diogo Cão, o ano gravado é 6681.CONGO / ANGOLA / NAMÍBIA Em japonês havia pelo menos dezoito maneiras de dizer «eu». Uma era só para o rei.SERNANCELHE / NAGASÁQUI Na Póvoa de Varzim, cada família de pescadores tinha uma marca. Não era um desenho ao gosto de cada um: era um brasão de família, passava de pais para filhos, e só os herdeiros a podiam usar. O chefe da casa usava-a inteira, o filho mais velho acrescentava-lhe ao lado um pique, o seguinte dois, o seguinte três, e o mais novo voltava à marca do pai inteira, por ser o legítimo herdeiro.PÓVOA DE VARZIM Em abril de 1520, uma embaixada portuguesa desembarcou na Etiópia. Encontrou lá um português que tinha saído de Santarém a 7 de maio de 1487, mandado em segredo por D. João II para descobrir onde se acha a canela e saber do Preste João.COVILHÃ / ETIÓPIA Na Madeira, um canal de rega é uma pessoa. Não é uma metáfora de jurista: é o estatuto que lhe permite ter direitos próprios sobre a água, e defendê-los em tribunal.MADEIRA Em 1666, um engenheiro pediu licença para imprimir um método de desenhar fortificações. O primeiro parecer respondeu que não fazia falta.LISBOA / RECIFE Sabia que houve um homem que viveu sozinho numa ilha do Atlântico e que teve de lhe ser passado um salvo-conduto para poder continuar lá?SANTA HELENA / GOA Sabia que a entrega de Bombaim a Inglaterra ficou parada anos porque a carta que os ingleses apresentaram não estava assinada?VILA VIÇOSA / BOMBAIM Sabia que o homem que fez o portal das Capelas Imperfeitas está debaixo do chão, à entrada da igreja do Mosteiro da Batalha?BATALHA Sabia que o relatório em que um boticário português descreveu o Oriente, do Mar Vermelho ao Japão, esteve quatro séculos numa biblioteca de Paris, catalogado com o nome de outro homem?LISBOA Sabia que o dinheiro de quem morria na Índia voltava a Portugal num cofre que precisava de três homens para se abrir?LISBOA Portugal tem um único Prémio Nobel da Medicina. E não foi dado pela descoberta que ainda hoje se usa.LISBOA Sabia que o Porto tem, guardada numa biblioteca, uma ponte que nunca construiu?PORTO Sabia que os Templários já estavam em território português antes de haver Portugal?TOMAR / SANTARÉM Sabia que foi preciso um expediente para Fernão de Magalhães poder comandar uma armada espanhola?SEVILHA / PORTO Sabia que Amália Rodrigues teve dois aniversários, e que nenhum deles era certo?LISBOA / FUNDÃO Sabia que as cabeças de veado da sala de jantar do Palácio da Pena têm hastes verdadeiras?SINTRA Sabia que o rei que declarou Inês de Castro sua mulher não se lembrava do dia do casamento?ALCOBAÇA / COIMBRA Sabia que a Baixa de Lisboa está construída em cima da cidade que o terramoto deitou abaixo?LISBOA / BAIXA Sabia que o rinoceronte que Portugal recebeu em 1515 nunca chegou a ter nome?LISBOA / BELÉM A Escola de Sagres não aparece em documento português nenhum do tempo do Infante D. Henrique. Nem nos papéis dele, nem em Zurara, o cronista que lhe ficava mais perto no tempo, e que descreve apenas uma vila em construção no promontório.SAGRES / VILA DO BISPO Sabia que Cristóvão Colombo viveu em Porto Santo?PORTO SANTO (MADEIRA) A revolta começou numa escola. As gravuras não sabem nadar.VILA NOVA DE FOZ CÔA Sabia que, em Loulé, abriram valas na rua para instalar uma caixa de recolha de águas pluviais e foram dar aos banhos públicos de uma cidade islâmica?LOULÉ (ALGARVE) Sabia que a notícia da descoberta da América chegou primeiro a uma ilha portuguesa?VILA DO PORTO (AÇORES) Sabia que analisaram vinte e quatro painéis de arte rupestre em onze grutas da Península Ibérica à procura de ADN humano antigo, e só um deu resultado?MONTEMOR-O-NOVO Sabia que um engenheiro desenhou um teatro romano sem nunca ter percebido que o estava a desenhar?BRAGA Sabia que as muralhas medievais de Aveiro estão dentro do mar?AVEIRO Sabia que Portugal tem uma segunda língua?MIRANDA DO DOURO Em Monção, a heroína chama-se Deu-la-Deu Martins. A tradição diz que fez fugir um exército castelhano atirando-lhe do alto da muralha os últimos pães da vila, ainda quentes. Prova documental não se conhece; o brasão mostra a cena há mais de trezentos anos, e a divisa oficial, fixada em 1972, reza: «Deus o deu, Deus o há dado».MONÇÃO «Fernão, mentes? Minto!» A piada faz-se com o nome de um homem que existiu, e que escreveu a «Peregrinação» numa quinta do Pragal, em Almada.ALMADA Em Paranho de Arca, no concelho de Oliveira de Frades, há um sepulcro megalítico a que a gente da terra chama a Pedra dos Mouros. Leite de Vasconcelos já lhe dava esse nome em 1898.OLIVEIRA DE FRADES Numa oficina de Portalegre há tecedeiras que chegam a dar dez mil pontos de lã num quadrado de dez centímetros de lado. Trabalham em teares verticais, começando pela base, e trabalham pelo avesso: enquanto tecem, não veem o direito daquilo que estão a fazer.PORTALEGRE Nas Penhas Douradas, na Serra da Estrela, havia no século XIX um observatório meteorológico plantado num alto ermo onde não vivia ninguém.MANTEIGAS Sabia que houve um Correio-mor de Portugal com oito anos?LOURES Nas escavações do mosteiro que o Mondego alagou durante séculos, Santa Clara-a-Velha, em Coimbra, apareceu o esqueleto de um jovem com esporas de ouro.COIMBRA No meio das vinhas do Douro ainda se pode tropeçar numa lei do século XVIII: marcos de granito com cerca de dois metros, gravados com um número, um ano e uma única palavra, «FEITORIA». Foram 335, plantados em 1758 e 1761 para demarcar as terras do vinho que podia embarcar para o mundo.DOURO Há quase novecentos anos, dois exércitos acamparam frente a frente no vale do Vez, no Alto Minho: Afonso Henriques de um lado e, do outro, o primo, o imperador Afonso VII de Leão e Castela. Conta a crónica que os cavaleiros saíram ao campo foi para jogar, e que foi no jogo que os portugueses prenderam o irmão do imperador.ARCOS DE VALDEVEZ Houve um navio português que desligava os motores no meio do gelo, para os cirurgiões poderem operar com as mãos firmes. Segundo o comandante, uma dessas operações durou cerca de seis horas, à luz de baterias, num fiorde da Gronelândia. O pescador sobreviveu.VIANA DO CASTELO Há uma porta de granito no centro do Porto que esteve fechada ao público durante 236 anos. Abriu a 12 de março de 2026. E há um dia da semana em que volta a fechar.PORTO Este é o crânio mais antigo de Portugal. E ninguém sabe o nome de quem foi.TORRES NOVAS O ferro que criticaram como desperdício foi o que segurou este aqueduto.LISBOA Sabia que não existe nenhum Papa João XX?LISBOA · VITERBO Óbidos pertenceu às rainhas de Portugal durante mais de cinco séculos. E pertencer tinha contas certas.ÓBIDOS Um caíque é um barco de pesca da ria. Foi feito para trabalhar à vista de terra, entre bancos de areia e canais de maré. Não é um navio de alto mar.OLHÃO Portugal tem uma única mesquita medieval de pé. Está escondida dentro de uma igreja católica, no Alentejo.ALENTEJO Um vulcão nos Açores esteve ativo treze meses e não matou ninguém. Quem ajudou a salvar os sobreviventes chamava-se Kennedy.AÇORES Numa aldeia do Gerês, o cargo de juiz durava seis meses. Nem um dia mais.GERÊS Em 1561, um arcebispo português pediu por escrito que os cardeais fossem reformados.BRAGA–VIANA O Atlântico Sul foi vencido pelo ar, em 1922, com uma bolha de ar.LISBOA–RIO Junto à Tapada de Mafra, onde os reis caçavam há séculos, vive hoje uma alcateia que ninguém pode caçar.MAFRA Sabia que «Sacavém é outra loiça» era mesmo uma fábrica?SACAVÉM Antes de ser Bombaim, e muito antes de ser Mumbai, a ilha teve um primeiro morador europeu. Era português.GOA Pegue numa craveira e deslize a pequena escala. Está a tocar num nome.LISBOA Em 1709, um padre português fez subir um balão de papel diante de um rei. E de um futuro papa.LISBOA Durante seis séculos e meio, Cheleiros, hoje uma pequena povoação do concelho de Mafra, foi um concelho: uma vila com governo próprio.CHELEIROS Em 1810, para travar o exército de Napoleão, Wellington mandou erguer as Linhas de Torres Vedras a norte de Lisboa. E deu uma ordem: terra queimada. A população das terras do vinho teve de abandonar as quintas e destruir todos os alimentos que o inimigo pudesse comer.BUCELAS Sabia que há um lugar em Portugal onde, todos os Natais, se repartem pães que a lenda diz terem sido pedras?VENDA DO PINHEIRO José Franco era um oleiro pobre do Sobreiro, em Mafra. Nascido em 1920, deixou a escola por volta dos dez anos pela roda de oleiro e, aos dezassete, recuperou a olaria do avô.SOBREIRO Mandaram vinte e cinco soldados para o alto da Serra de Sintra, em 1966, para travar o maior incêndio de que há registo na serra. Não tinham preparação nem meios.SINTRA Em 1502, ao largo da costa da Índia, Vasco da Gama mandou incendiar o «Mirí», um navio que trazia peregrinos muçulmanos de regresso de Meca. As pessoas ainda estavam a bordo.SINES Sabia que o primeiro James Bond começou num casino português?LISBOA Ao fim da tarde de 1 de fevereiro de 1908, a família real portuguesa atravessava o Terreiro do Paço numa carruagem aberta. A poucos metros, um homem ajoelhou-se e disparou.LISBOA Na madrugada de 1 de maio de 1947, levantou-se ao largo da Ericeira uma nortada «de uma violência inaudita». Muitas lanchas da Ericeira e da vizinha Assenta estavam no mar.ERICEIRA O forte acima da Malveira esperou um exército que olhou e voltou para trás. Nunca disparou um tiro. A arma que matou foi a fome.MALVEIRA Em 1834, fundearam nesta angra 175 navios de comércio. Era o quarto porto mais activo de Portugal, a seguir a Lisboa, Porto e Setúbal.ERICEIRA Durante quase dois séculos, os corsários argelinos caçaram ao longo da costa portuguesa. A partir de 1606, quando aprenderam a construir navios de alto-mar, nenhum barco de pesca estava seguro ao largo.ERICEIRA Mafra mandou fundir, no século XVIII, o maior conjunto de sinos do seu tempo. Mais de cem. E, durante quase vinte anos, nenhum tocou.MAFRA Em outubro de 1621, a nau «Nossa Senhora da Conceição» regressava de Goa, carregada com a riqueza da Índia. Ao largo da Ericeira, foi cercada por dezassete navios corsários argelinos e perto de cinco mil homens. A bordo iam entre seiscentas e oitocentas pessoas.ERICEIRA A 5 de outubro de 1910, o último rei de Portugal não saiu do país num navio de guerra. Saiu numa praia, em botes de pesca.ERICEIRA A poucos quilómetros a sul da Ericeira, numa gruta junto a São Julião, vivia um homem a quem chamavam o Eremita. Era magro, de barba clara, da idade que o rei teria. E houve quem visse nele o que precisava de ver.ERICEIRA Sabia que a czarina Catarina II, a Grande, mandou pedir a Portugal uma «terra de Mafra» que se dizia curar o cancro?MAFRA No maior palácio de Portugal, atrás da basílica e da biblioteca, havia uma enfermaria. E dentro dela, uma pequena cela para os doidos.MAFRA Mafra é o maior edifício que os reis de Portugal mandaram erguer: cerca de mil e duzentas divisões, uma basílica ao centro e duas torres de sessenta metros. Foi pago com o ouro do Brasil, em cumprimento de um voto de D. João V.MAFRA Quando o exército de Napoleão marchou sobre Lisboa, em 1807, a corte portuguesa não resistiu. Embarcou.MAFRA Há muito que se conta, em Mafra, a lenda dos ratos gigantes: roedores enormes que viveriam nas caves do convento e, à noite, sairiam para devorar tudo o que apanhassem.MAFRA Ao anoitecer, quando a biblioteca fecha, duas colónias de morcegos saem de trás das estantes e começam a caçar.MAFRA Enquanto Carlos V atravessava a Europa atrás de guerras e de dívidas, era uma portuguesa que ficava em Espanha a governar.PORTUGAL O maior poeta da língua portuguesa foi enterrado como um indigente. E o seu túmulo perdeu-se.LISBOA
O Arquivo

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